09 abril 2017

Dê notícias Bruno!


Querido Bruno, não te conhecemos pessoalmente, mas já temos por você um imenso amor. Sua mãe Rosiane acaba de entrar para nosso grupo. Ela partilha conosco a mesma dor. A de não saber onde o filho está. Se dorme, se come, se está bem, precisando de ajuda. Por essa razão escrevemos a você essa mensagem na certeza que ela irá te encontrar em algum lugar. E que você, ou alguém que saiba onde você se encontra, irá entrar em contato com Rosiane ou conosco para dar notícias suas.

Ter um filho desaparecido é viver uma morte em vida. É não ter um minuto de sossego, não ter paz ou felicidade. É viver um enorme vazio. Que em breve possamos ter notícias suas.

Mães do Brasil
maesdobrasil@portalkids.org.br


05 abril 2017

Portal Kids terá um Jornal do Poste em sua nova sede

Sempre tive vontade de fazer um Jornal do Poste. Agora que o Portal Kids está de sede nova, no bairro de Oswaldo Cruz, subúrbio do Rio, achei que era uma boa ocasião para começar a me comunicar com os moradores da região a maneira de uma jornalista de formação e paixão.

Hoje saiu a primeira edição, mas ainda não foi colocada na parede de nossa sede porque eu, como diagramadora, deixo muito a desejar. Nosso jornal terá sempre três páginas em formato A4. Tenho planos de expandir a ideia e captar anunciantes e patrocinadores. Por enquanto estou em busca de um diagramador que queira contribuir de forma voluntária para o Jornal do Poste de nossa instituição que esse ano completa 18 anos.

Se você deseja colaborar conosco, nem que seja nesta primeira edição, envie um e-mail para atendimento@portalkids.org.br ou mande mensagem por nossa página no facebook.

Como nasceu o Jornal do Poste?

Por incrível que pareça a ideia nasceu da iniciativa de uma moradora do interior de Minas Gerais que em 1910 começou a fixar nos postes da cidade de São João Del Rei notícias sobre os moradores e anunciar casamentos, mortes e nascimentos. Dona Adelina foi a percussora do jornalismo do poste, que reproduzo agora em Oswaldo Cruz, apesar de estarmos no auge da era tecnológica.

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br


06 janeiro 2017

#portalkidsfaz18



Em março o Portal Kids comemora 18 anos de existência. A Rede Transparência já nos presenteou permitindo o lançamento da campanha Mulheres Empreendedoras.

Entre no link e saiba como participar desta primeira ação de comemoração.

Contamos com você!

22 novembro 2016

Noite de premiação


Wal e Tercília com os premiados da noite, a Juíza Adriana e o Desembargador Caetano,
recebendo o prêmio das mãos dos filhos de Patrícia Acioli, Raquel, Bete e Tercília, as premiadas
Na noite de 7 de novembro estivemos na entrega do Prêmio Amaerj de Direitos Humanos Patrícia Acioli. Não fomos premiados, mas o projeto Mães do Brasil ganhou uma menção honrosa e das mãos dos três filhos da falecida magistrada. A caçula completava 18 anos justamente neste dia. Para nossos leitores de diversos países que possam não ter tido o privilégio de conhecer o legado da Juíza, ela foi assassinada com 21 tiros na porta de sua casa em Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, em 12/08/2011, por policiais que julgava e que pertenciam ao crime organizado que combateu bravamente. Corajosa, a magistrada levou para a prisão mais de 50 policiais ligados as milícias e grupos de extermínio. Ao todo, 11 policiais militares, denunciados pelo Ministério Público do Rio, foram julgados e condenados pelo crime contra ela.

Com o objetivo de homenagear sua memória e perpetuar a luta de Patrícia pelos Direitos Humanos, a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ) criou o prêmio no ano seguinte a sua morte. E também para aproximar a Justiça da sociedade que trabalha em prol da dignidade humana. Já nos sentimos premiados pela indicação, por tudo que esse prêmio representa. E o dedicamos a outra magistrada, Dra. Adriana Ramos de Mello, auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça do RJ e Juíza Permanente do Fórum de Defesa da Mulher. Desde que conheceu a presidente me conheceu numa CPI em 2012, Dra. Adriana tem sido uma defensora incansável dos desaparecidos e das Mães do Brasil.

Na verdade, nosso convívio com Dra. Adriana se intensificou em 2014. As Mães do Brasil, decepcionadas com a Justiça, resistiam à ajuda dela. Mas, ao contrário de se ofender, Dra. Adriana olhou para as mães com um olhar maternal, aquele olhar de compreensão que uma mãe tem para o filho ainda imaturo para as coisas do mundo. E tratou de nos ensinar o que é a Justiça, a valorizá-la e a lutar pela Justiça que queremos. Como Dra. Adriana Ramos de Mello representa para nós a face dessa Justiça, dedicamos o prêmio a ela. E, para nossa honra, ela esteve presente na cerimônia e sentou no lugar de honra com a gente. O diretor da Escola Magistratura do Rio de Janeiro (EMERJ), Desembargador Caetano Fonseca da Costa, também um apoiador das Mães do Brasil, compôs a mesa, muito feliz por nós.

Wal fez questão de apresentar aos convidados que foram prestigiar as Mães do Brasil, a verdadeira criadora do movimento, Tercília Frederico. Em 1998, ao ser entrevistada por Wal, então repórter de uma editora europeia, Tercília, cujo filho Josemar, de 15 anos, portador de necessidades especiais, desapareceu da porta de sua casa, no bairro de Vila da Penha, durante uma festa Junina, pediu à jornalista que montasse para ela um projeto que atendesse as mães e ajudasse a localizar desaparecidos. Não descansou enquanto Wal não aceitou a missão. Tercília, que enviuvou recentemente, interrompeu o luto para receber o prêmio junto com Wal e avisou a ela e as Mães do Brasil presentes a cerimônia.

“Esse foi o nosso segundo prêmio! Vamos trabalhar para localizarmos muito mais desaparecidos, apoiar mais mães e merecer mais prêmios!” – estimulou.

Eu e as demais Mães do Brasil presentes nos entreolhamos, já prevendo. Ninguém segura Tercília, a mãe das Mães do Brasil.

Por Wal Ferrão

wal.ferrao@portalkids.org.br

17 novembro 2016

Raquel segundo Larissa: "A mãe que livra de todos os perigos!"


Raquel numa manifestação por Larissa e as crianças desaparecidas

Raquel Gonçalves é atendida pelo projeto Mães do Brasil do Portal Kids desde que sua filha Larissa, de 11 anos, foi sequestrada de dentro de sua casa em 2008. Raquel chegou ao Portal Kids igual um zumbi. Não falava e se recusava a interagir com o grupo. Nas rodas de conversa sentava-se numa cadeira num canto, distante de todos. Mas ficava ali. Aos poucos ela foi aproximando a cadeira e se incorporando a roda, não das conversas, mas da roda viva que representa o universo de uma mãe que tem um filho desaparecido. Ela é feita de desespero, impotência, solidão e uma violência atroz, não só a provocada pelo fato de ter um filho retirado de forma forçada de seu convívio, como aquelas pequenas violências verbais ditas por pessoas das mais diversas. Muitas vezes até sem intenção de ferir. “Acha logo sua filha antes que ela goste de ser prostituta!” “Coleta de impressão digital não é para pobre” “A ONG só trabalha para você!” A última foi ontem: “Ela não é mãe, é tia! Quem tinha que procurar não era ela” As palavras vieram de alguém que não conhece Raquel em sua intimidade. Raquel vem sendo mãe de suas sobrinhas desde que nasceram. Sei disso porque a primeira investigação que faço não é a jornalística, mais a humana. Eu investiguei muito bem o coração de Raquel e o de sua sobrinha que ficou. Outro dia ouvi um áudio da neta de coração dela cobrando. “Vovó... Estou com saudades de você!” Os atos de Raquel ao longo desses anos de convívio mostram seu espírito materno. Quantas vezes me cercou de cuidados, carinhos e proteção maternal. Mas age assim com todos com quem partilha a vida. Embora seja uma culinarista de mãos abençoadas, Raquel nasceu para ser mãe.

Achei importante fazer esse registro para não desencorajar outras mães de desaparecidos que não são biológicas, mas criam os filhos nascidos do coração com muito amor. Não se deixem afetar pelas opiniões alheias e continuem amando incondicionalmente. Exigindo das autoridades que não as consideram mães menos julgamento e mais trabalho. Lembre-se que o salário da autoridade que a julga é pago com seu dinheiro. Raquel mesmo resistiu por meses a entrar pela primeira vez no Ministério Público. Até que de tanto eu questionar sua atitude ela acabou me confessando que temia ser presa por não ser a mãe biológica de Larissa. Graças a Deus a demora não a impediu de finalmente tomar coragem e entrar. E com o apoio do Ministério Público indiciar e condenar o sequestrador de sua filha.

Ontem Raquel se entristeceu em mais uma vez, depois de tantas provas de amor incondicional que deu por Larissa, ouvir tal frase da boca de uma pessoa. Eu então repeti ela o que respondi a uma outra amiga ontem, ao conversarmos sobre maldade e ingratidão: Não detenha seu olhar na lama. Olhe para as flores.


Raquel, as flores da sua vida, sua filha mais velha, seu filho e sua neta, atestam diariamente a grande mãe e avó que você é. E nós também #maedobrasilguerreira 

A propósito, a última anotação do diário que Larissa ganhou de Raquel ficou registrada sua opinião sobre a mãe de coração. Raquel só descobriu isso depois que ela desapareceu, na tentativa de descobrir algo sobre seu paradeiro. Escreveu Larissa:

"Tia Raquel, a mãe que me livra de todos os perigos!"

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br

13 novembro 2016

Mergulhando no medo


Um medo específico estava me perturbando. Me dei conta que só iria entendê-lo se fizesse contato com ele. Comecei a estudar a sensação de medo de uma forma geral. A observar os medos que habitam em mim, nas pessoas que convivo e nas que me são estranhas e/ou desconhecidas. Percebi que a raiz do meu medo e acho que de grande parte das pessoas reside na perda. Perda da ilusão, da segurança, dos bens, da saúde, de pessoas amadas, da vida. Principalmente medo de que a perda seja permanente. Amamos a continuidade.  Tanto que está na imortalidade o grande enigma da humanidade.

Eu estava com medo que minha perda se tornasse permanente. Venho lutando há anos para recuperar o bem perdido, apesar de ter sofrido perdas bem mais graves, a de seres amados.

Mas a perda em questão me tirou literalmente o chão, me tirou da zona de conforto, da segurança, da sensação de controle. No entanto, a temível perda me transportou para um mundo totalmente diferente, desconhecido e tenho que admitir muito mais rico e divertido. Descobri que a perda é uma porta que nos leva a um outro lugar, desconhecido, que nos deixa nús, rouba nossos apegos. Ou, se teimamos em permanecer estacionados na dor que a perda provoca, ela abre uma janela que nos faz enxergar o mundo, o outro e a nós mesmos. Temos a tendência a rejeitar – muitas das vezes odiar - tudo e todos que nos façam enxergar verdades. Verdades nos perturbam. Não queremos ser perturbados. Antes estar narcotizados. Iludidos.

Vem então o apego as crenças na esperança que resolvam a dor por nós ou nos restituam as perdas. Mas o que chamam Deus está nas crenças? Ou está justamente no fim do medo. Posso viver sem medo? Encontrar a manifestação Divina em sua forma mais pura? Encontrar o Deus que habita em mim?

Por Wal Ferrão


wal.ferrao@portalkids.org.br

26 outubro 2016

Estamos entre os 5 finalistas do Prêmio Juíza Patricia Acioli




No último dia 20 de outubro recebi uma ligação da Associação de Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (AMAERJ) informando que eu estava entre os cinco finalistas do Prêmio Juíza Patrícia Acioli. 

É verdade? - perguntei, realmente surpresa. Não só confirmaram como fui parabenizada pelo projeto Mães do Brasil, que concorre com mais quatro valorosos candidatos na categoria Práticas Humanistas.

Emocionada, minha primeira reação foi ligar para outra magistrada, a Dra. Adriana Ramos de Mello, que é Juíza de Direito Auxiliar da Presidência do Tribunal de Justiça e tem sido uma grande parceira nos trabalhos do Portal Kids na defesa da criança desaparecida e demais violações dos direitos das mulheres. Ela foi a primeira pessoa que falei do Prêmio.

A indicação para nós - porque esta indicação é fruto de um trabalho de toda a equipe do Portal Kids e das Mães do Brasil, que é realizado com o apoio da Agência Internacional DKA Áustria - dedicamos a Dra. Adriana. Uma magistrada que nos aproximou da Justiça, nos levou a valorizar a Justiça e também exigir da Justiça. Dra. Adriana tem o perfil da Justiça que queremos e necessitamos. 

Estou muito feliz, muito honrada, muito orgulhosa e muito emocionada com a indicação. 

Por Wal Ferrão
wal.ferrao@portalkids.org.br